Nos últimos anos, o envelhecimento ativo passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante nos debates sobre saúde e qualidade de vida. Para o doutor Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão, uma das transformações mais marcantes da sociedade atual está relacionada à forma como as pessoas chegam à terceira idade e às expectativas que possuem para essa fase da vida.
Há algumas décadas, era comum associar os 70 anos a um período de desaceleração e limitações. Hoje, porém, a realidade de muitos idosos é bastante diferente. O aumento da longevidade, os avanços da medicina e a maior preocupação com hábitos saudáveis contribuíram para mudar o perfil de uma geração que busca permanecer ativa por mais tempo.
Diante desse cenário, cresce uma reflexão interessante: viver aos 70 anos em 2026 é o mesmo que viver aos 70 anos há 30 anos? A resposta passa por mudanças sociais, comportamentais e de saúde que estão redefinindo o significado do envelhecimento. Interessado em saber mais? Confira, a seguir.
O que mudou no perfil da população idosa?
Nas últimas décadas, a expectativa de vida aumentou de forma significativa em diversas partes do mundo. Como consequência, a população idosa passou a representar uma parcela cada vez maior da sociedade, trazendo novas demandas e novas perspectivas sobre o envelhecimento. Ao mesmo tempo, o acesso à informação ampliou o interesse por temas relacionados à prevenção e à qualidade de vida.
Além disso, muitas pessoas chegam à terceira idade em melhores condições de saúde do que as gerações anteriores. Segundo Yuri Silva Portela, fatores como acompanhamento médico, vacinação, alimentação mais equilibrada e incentivo à prática de atividades físicas contribuíram para que uma parcela crescente da população envelhecesse, mantendo níveis mais elevados de autonomia e participação social.
Por que o conceito de envelhecimento ativo ganhou tanta importância?
Durante muito tempo, o envelhecimento foi associado principalmente à perda de capacidades físicas e à dependência. Atualmente, especialistas defendem uma visão mais ampla, na qual o objetivo não é apenas viver mais, mas preservar a capacidade de participar da vida familiar, social e comunitária durante o maior tempo possível.

Nesse contexto, o envelhecimento ativo passou a ser compreendido como um processo que valoriza saúde, autonomia e participação. De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, a qualidade dos anos vividos tornou-se tão importante quanto a própria longevidade, o que explica a crescente atenção dedicada ao tema nos últimos anos.
Como a tecnologia está influenciando essa geração?
A presença da tecnologia na rotina dos idosos é uma das diferenças mais visíveis em comparação com gerações anteriores. Ferramentas digitais, aplicativos de comunicação e plataformas de serviços passaram a fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas que hoje estão na terceira idade, ampliando oportunidades de interação e acesso à informação.
Ao mesmo tempo, recursos tecnológicos também vêm sendo utilizados para promover mais segurança e independência. Aplicativos de saúde, lembretes de medicação e soluções de monitoramento ajudam a facilitar atividades do dia a dia. Conforme analisa Yuri Silva Portela, a tecnologia tem potencial para fortalecer a autonomia na terceira idade quando é utilizada de forma acessível e alinhada às necessidades da população idosa.
A longevidade trouxe novos desafios para idosos e famílias?
Embora o aumento da longevidade represente uma conquista importante, ele também traz desafios que não eram tão frequentes no passado. Questões relacionadas ao planejamento financeiro, à manutenção da autonomia e ao suporte familiar passaram a ocupar espaço crescente nas discussões sobre envelhecimento.
Além disso, viver mais tempo significa enfrentar transformações sociais e familiares que exigem adaptação constante. Em muitas situações, diferentes gerações convivem simultaneamente por décadas, criando novas dinâmicas de relacionamento e cuidado. Por isso, o envelhecimento ativo depende não apenas da saúde individual, mas também da existência de ambientes que favoreçam participação, inclusão e qualidade de vida.
Os 70 anos de hoje representam uma nova etapa da vida?
A imagem tradicional da terceira idade vem sendo gradualmente substituída por uma visão mais diversa e dinâmica. Muitas pessoas continuam trabalhando, estudando, viajando, participando de atividades sociais e desenvolvendo novos projetos mesmo após os 70 anos. Essa mudança reflete transformações profundas na forma como a sociedade enxerga o envelhecimento.
Por fim, Yuri Silva Portela destaca que a longevidade está redefinindo conceitos que permaneceram por décadas praticamente inalterados. Em um cenário de expectativa de vida crescente, os 70 anos deixaram de representar um ponto final para se tornar, cada vez mais, uma fase marcada por possibilidades, autonomia e participação ativa na sociedade.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
